Terça-feira, Julho 15, 2008

The Best Place In The World

O mundo inteiro presta bem pouco, não há otimismo que nos faça crer em melhora a curto prazo. Violência, fome e dor parecem ser ainda os lugares mais comuns em nosso cotidiano. Achar horizontes diferenciados é difícil e tolo. Contentar-se com paisagens bonitas pequeno. Turismo? Prefiro a ventura do pensamento. IMAGINAÇÃO! O melhor lugar do mundo somos nós, espiando-nos.

Segunda-feira, Junho 30, 2008

Day After

Voltamos à nossa programação normal. O título não poderia ser mais adequado. Vivo uma intensa ressaca pós lançamento. Para os que não sabem, ela existe. A gente fica feliz, até meio aéreo, bobo com tudo o que aconteceu, e um pouquinho triste, por ter aproveitado quase nada a presença dos amigos. Não deu para conversar, curtir o carinho que levaram à livraria, todos queridíssimos. Só fui saber que teve bufê, serviram bebida e salgadinhos, em casa, à noite, pela minha mulher.
Quando fui deitar, desmunhecado pelo excesso de autógrafos, aflito por saber ter esquecido de registrar o que precisava, lamentando ter dito menos do que devia, consciente da pobreza de meu repertório, insatisfeito com os garranchos que macularam as páginas do livro, tão bonito, e com os prováveis erros que cometi ao escrever tão rápido, encostei a cabeça no travesseiro e sorri.
Vocês são o máximo!

Segunda-feira, Junho 09, 2008

Sobre o Telhado das Árvores



Lançar um livro é sempre uma alegria. Todos os meus amigos estão convidados. Certamente irão me encontrar feliz, muito.

Terça-feira, Maio 27, 2008

Smell

Sou dos que vai atrás de seus direitos, sem orgulho. Se posso receber salário desemprego, por exemplo, verifico o que preciso fazer, faço.
Essa semana andei de metrô. Ando sempre, mas cumpri um trajeto mais longo, com troca de trens, baldeamento para linhas diferentes, distantes. Sentado, raramente o faço pois sempre desço logo, minha vida acontece entre estações próximas, ia quieto, resignado, em busca de um passe grátis para trabalhadores demitidos. Com ele poderei andar três meses sem pagar, achei razoável .
E então o passado entrou por minhas narinas. Uma fragrância que nunca mais tinha sentido insinuou-se, invadiu meus sentidos. Revi, dentro daquele vagão, sem mais nem menos, minha infância no Rio de Janeiro. Eu menino, no apartamento de meu bisavô Américo, no bairro do Flamengo. A manhã chegando ensolarada, minha tia-avó Helena entrando no quarto para me acordar, o café da manhã gostoso esperando. Rindo, feliz, carinhosa com o sobrinho-neto ali hospedado. Eles sempre me cobrindo de cuidados amorosos. E, com a presença dela, aquele mesmo perfume que agora sentia, no meu caminho estranho, inundava o ambiente e meu início de dia, férias escolares. Percebi-me, talvez pela fragilidade do momento que vivia, aquela viagem inusitada, mais emocionado que de costume. Alguém, quem sabe aquela senhora de vestido florido, preparando-se para desembarcar, estava usando Leite de Rosas.

Terça-feira, Maio 06, 2008

Dear Friends

Queridos amigos,
A minha sensibilidade é meio estranha. Demoro um certo tempo para poder falar de determinados assuntos, principalmente quando eles me ferem. É como se fosse necessário deixar a ferida quieta, criando casca, antes de conseguir tocá-la.
No final de março, depois de trinta anos ininterruptos trabalhando no mesmo lugar, com algumas mudanças sutis decorrentes de terceirizações, mas basicamente atendendo ao cliente de sempre, fui demitido. Tive que enfrentar essa experiência nova com as armas que tinha, muito poucas. Basicamente decidi, antes de tudo, manter-me com o moral elevado, bem disposto, motivado, acreditando que enfrentaria a situação de maneira adeqüada. Difícil foi encontrar o botão onde todas essas determinações pudessem ser ativadas, mas de alguma forma consegui.
Como, não sendo mais o jovem que fui, em um mercado saturado e carente de profissionais baratos, com a área de processamento de dados cada vez mais em processo de extinção, virando comódite, acharia recolocação ganhando o suficiente, sem me humilhar? Embora com muito medo não desanimei.
Resolvi então diversificar. Ao invés de ter todos os ovos na mesma cesta corporativa, resolvi sair um pouco da área de informática, com a qual já não me encanto, e dirigir o olhar para outras habilidades que possuo. Estou dando consultoria na área de recursos humanos, sempre gostei de lidar com gente, mais do que com máquinas, deverei dar aulas em algumas faculdades, voltei a estudar, começarei, no semestre que vem, um mestrado na área de literatura na USP, garimpo alguma coluna em jornal ou revista, preciso aumentar minha produção literária. Embora deva lançar dois livros ainda esse ano, é no volume que o direito autoral começa a fazer diferença. Somando aqui e ali, acho que vou conseguir recompor meu orçamento, percebendo quase o mesmo que recebia, fazendo coisas que me deixam melhor.
A história, ao que parece, se encaminha para um final feliz. Talvez tenha premido aquele botão forte demais.
Tudo isso, por incrível que pareça, faz com que tenha menos tempo. Vivo em treinamentos, trabalhos avulsos, sempre correndo atrás de pequenos ganhos que, somados, possam fazer a diferença. Já não tenho uma sala em uma empresa. Lá, sempre me sobrava um espaço.
O blog, embora importantíssimo, deverá ter uma presença menos cotidiana. Não pretendo, de maneira nenhuma, sou fiel aos meus amores, desativá-lo, mas não conseguirei, como não venho conseguindo há algum tempo, ser assíduo.
Era a explicação que precisava dar aos meus amigos.
Beijos e abraços!

Segunda-feira, Abril 07, 2008

Black Cloud

Escrevo envergonhado, com a clara sensação de estar infringindo regras claras de um jogo que não estou jogando direito. Há que haver uma relação de troca. Se visitam-me, comentam o que escrevo, é fundamental que retribua, leia com atenção o que falam, deixe minha opinião à respeito. Sinto-me devedor e não gosto de ser pouco educado.
Quando olho para cima vejo nuvem negra que insiste em ficar por aqui. Tenho lutado para afastá-la. Enquanto não o fizer a paz necessária faltará. Sem alegria, preocupado, não tenho como viajar. É desse turismo sadio pelos blogs amigos que me abstenho por falta de libido, tesão. Que o vento, o tempo, qualquer circunstância feliz seja capaz de afastar esse momento difícil. É só uma questão de paciência. Minha e dos amigos. Logo estarei de volta como se deve.

Domingo, Março 09, 2008

News From The Wild

Tenho andado dolorosamente longe das postagens e das visitas aos blogs amigos. Isso me faz mal, deixa-me atarantado, sem ter onde por os pés, deitar raízes. Preciso desse contato para ter serenidade, alegria, equilíbrio. Escrever é talvez minha principal válvula de escape. Embora seja analisado por uma profissional, é através da palavra escrita que o trabalho de Freud torna-se quase dispensável.
O mundo corporativo é voraz. Quando menos esperamos o cotidiano nos engole. Preocupados em sair ilesos das armadilhas colocadas e devolver, na mesma moeda, o que nos aprontam, embrutecemos. Mergulhados nessa batalha diária e, infelizmente, apaixonados por esse jogo sórdido, acabamos perdendo a delicadeza.
Tenho tentado sobreviver, esticar o pescoço para fora da lama, respirar um pouco de ar puro, mas está difícil. Nessas horas ouço música, vou ao cinema, leio bastante. É como se quisesse afastar-me da raiva que sinto das pessoas que me provocam, desafiam-me. E por sentir-me violento, prefiro a introspecção e o silêncio. Fico na penumbra ouvindo a voz de Amy Winehouse cantanto Back to the black, obsessivamente, relembro passagens do filme Into the wild, dirigido por Sean Pean, considerando se é verdade que a felicidade, para ser real, precisa de compartilhamento. Queria poder me refugiar nas drogas, ou ir viver no Alaska. Bobagens adolescentes. Pena que eu goste tanto de uma boa briga.